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Cenário de Comércio Exterior – 1ª quinzena de abril

Logística Plus primeira quinzena de abril

A corrente de comércio (soma das exportações e importações) do Brasil cresceu 20,6% no primeiro trimestre de 2021, atingindo US$ 109,62 bilhões. As exportações cresceram 16,8% no acumulado do ano e somaram US$ 55,63 bilhões, enquanto as importações subiram 24,8% e totalizaram US$ 53,99 bilhões.

Com esse resultado, a Secex divulgou novas previsões para 2021, com expectativa de aumento de 27% nas exportações, chegando a US$ 266,6 bilhões, e de 11,6% nas importações, com US$ 177,2 bilhões.

Enquanto isso, a Organização Mundial do Comércio (OMC) projetou recentemente um crescimento de 8% para o comércio mundial de mercadorias, superior à previsão de 7,2% feita anteriormente pela instituição.

Na avaliação da OMC, o comércio internacional está pronto para uma retomada mais robusta após superar o choque causado pela Covid-19 à economia mundial.

As perspectivas da economia mundial são muito favoráveis para as exportações brasileiras. Há uma nova e expressiva alta no mercado internacional de alguns dos principais itens da pauta de exportações do País. Algumas das economias que mais demandam produtos brasileiros devem crescer em ritmo intenso. A da China deve liderar a expansão das principais economias do mundo neste ano. A dos Estados Unidos poderá ser fortemente estimulada pelo pacote anunciado pelo presidente Joe Biden.

Como o de outros segmentos, o desempenho da balança comercial está condicionado à evolução da vacinação aqui e no exterior e à capacidade dos governos de conter a expansão das novas variantes do coronavírus.

Apesar do otimismo do cenário, como manter as operações com o suporte necessário para a alta demanda, enquanto o comércio global continua enfrentando dificuldades por conta da pandemia?

Os principais pontos de atenção nas fronteiras da América do Sul para o início de abril:

A Argentina apresentou um novo decreto para locomoção no país, que atinge principalmente o transporte rodoviário internacional. O texto exige a apresentação de testes RT-PCR ou imunização contra a Covid-19 para que os caminhoneiros possam atravessar a ponte.

Representantes do setor alegam que a medida poderá gerar um colapso geral no trânsito de mercadorias com os principais parceiros comerciais do Mercosul.

Uma exigência idêntica passou a vigorar no início do mês, na fronteira do Chile. O Ministério da Saúde chileno definiu novas medidas sanitárias com a exigência de apresentação de resultado negativos do teste RT-PCR para todos os motoristas que ingressem no seu território, via terrestre, com no máximo 72h de antecedência. Desde então, as cargas estão sendo represadas, aguardando negociações entre os Ministérios de Relações Exteriores, ainda sem avanços.

A realização dessa exigência requer uma infraestrutura não disponível nas fronteiras sem um planejamento antecipado, além do aumento considerável do custo da exportação brasileira e do tempo necessário para a sua efetivação.

A Bolívia prorrogou o fechamento da fronteira com o Brasil por mais 7 dias, devido ao receio da entrada da variante brasileira P1 e o aumento de casos de Covid-19, já que as cidades na região de fronteira não possuem estrutura de leitos de UTI.

A fronteira deve permanecer fechada até sexta-feira (16) com janelas de horários em que a passagem estará permitida somente entre os municípios fronteiriços, não prejudicando o transporte de cargas.

Transporte aéreo

Apesar das restrições a viajantes brasileiros aumentarem no início de abril, o transporte de carga segue em ritmo acelerado.

A demanda de carga aérea teve aumento de 9% em fevereiro deste ano, em relação com o mesmo período de 2019, quando não havia crise sanitária global. O estudo foi divulgado pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). Um dos destaques é que mesmo comparado com janeiro deste ano, o mês de fevereiro obteve melhora de 1,5%.

Um dos motivos é que as paralisações na cadeia de suprimentos e os consequentes atrasos nas entregas causaram maior prazo de entrega dos fornecedores. Isso normalmente significa que os fabricantes usam o transporte aéreo, que é mais rápido, para recuperar o tempo perdido durante o processo de produção.

Os dois maiores aeroportos cargueiros do Brasil, Viracopos e Guarulhos, termômetros da movimentação da carga aérea no país, registraram aumentos significativos desde o início de 2021.
 
Guarulhos, em março, contou com atrasos que chegam a superar três dias, somente no ato de receber e registrar a carga após sair do avião, durante o processo de uma importação – mostra apenas um dos exemplos dos transtornos vividos pela categoria no Terminal de Carga do maior aeroporto do Brasil.

Ainda são relatados:

  • Atraso no agendamento de recebimento das cargas;
  • Atraso na entrega das cargas para as Companhias. Aéreas;
  • Cargas não localizadas no armazém de exportação;
  • Atrasos na atracação;
  • Atraso na entrega e liberação das cargas agendadas.

Na Europa, o backlog nos aeroportos continua.

Frankfurt ainda está funcionando com vôos para o Brasil. A Air France e a TAP ainda possuem frequência de voos para o Brasil, apesar de algumas saídas terem sido trocados para “cargo only”. O problema dessa troca é que gera um aumento nas tarifas.

Medidas para combater à covid-19

Para facilitar a situação da crise sanitária no país, a Câmara de Comércio Exterior zera temporariamente imposto de importação de mais 65 produtos para combate à Covid-19. Os itens – que incluem medicamentos e equipamentos – passam a integrar a lista de reduções tarifárias de que trata a Resolução Gecex nº 17, de 17 de março de 2020.

A decisão contempla medicamentos para alívio de dor, sedação, intubação e respiração artificial, entre anestésicos, calmantes, analgésicos e antibióticos. A medida também abrange monitores para leitos clínicos e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), equipamentos para análise de gases respiratórios e central de monitoração para UTI adulto, além de carrocerias e caminhões-tanque para transporte de cargas perigosas, como oxigênio. 

Inovação

A rota comercial ferroviária China-Europa ganhou mais velocidade graças à aplicação da tecnologia blockchain.

O Porto Ferroviário Internacional de Chengd, que recebeu a tecnologia, reduziu o tempo gasto na verificação de documentos logísticos.

Antes, a carga entregue da China por ferrovia costumava levar mais de um mês para chegar aos seus destinos na Europa. A documentação e os conhecimentos de porte teriam de ser verificados em cada passagem de fronteira.

Nos primeiros três anos e três meses de existência, o serviço de carga China-Europa conseguiu realizar 200 viagens. Desde que a tecnologia blockchain foi introduzida, o mesmo número de viagens foi realizado em apenas dois meses.

Esse é um bom indicativo do que o blockchain pode fazer pelo comércio internacional.

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