LOGÍSTICA INTERNACIONAL
China: temporada de tufões continua pressionando a logística
Agosto trouxe mais um capítulo de uma temporada climática especialmente difícil para as operações na China.
Depois de sucessivos tufões desde julho e dos impactos sobre importantes regiões portuárias, o país enfrenta agora uma combinação incomum de sistemas tropicais. O tufão Narra atingiu Hainan e provocou fortes chuvas e inundações no sul, enquanto o Saudel avança em direção à costa leste chinesa, com previsão de atingir Zhejiang e Fujian entre 27 e 28 de agosto.
O problema não é apenas a passagem de cada tempestade. Interrupções sucessivas deixam um efeito acumulado na cadeia: navios fora de programação, cargas represadas, terminais congestionados e dificuldade para normalizar os schedules antes da chegada do próximo evento.
Para importadores, o momento pede antecedência na reserva de espaço e flexibilidade no planejamento de ETDs e ETAs, principalmente nas operações com origem na costa chinesa.
Canal do Panamá vai reduzir o número de navios em setembro
O El Niño voltou a mexer com uma das rotas mais importantes do comércio mundial.
A falta de chuvas está reduzindo os níveis dos lagos que abastecem o Canal do Panamá. Como resposta, a autoridade do canal anunciou que o limite passará dos atuais 36 para 34 navios por dia no início de setembro e, a partir de 15 de setembro, para 32. Restrições de calado também estão sendo adotadas.
O alerta é especialmente relevante porque o Panamá é uma rota estratégica para o comércio entre Ásia e Costa Leste dos Estados Unidos. Menos slots disponíveis significam maior disputa pela passagem e possibilidade de filas, alterações de rota, aumento dos tempos de trânsito e pressão sobre custos.
O precedente também merece atenção: em 2023, outro episódio de El Niño levou o canal a reduzir drasticamente sua capacidade. Por isso, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será determinante.
Carros chineses pressionam o mercado de navios Ro-Ro
A expansão internacional da indústria automotiva chinesa está criando outro gargalo no transporte marítimo.
O aumento das exportações de veículos para mercados como Europa, Austrália e América Latina levou a demanda por navios especializados ao limite. Mesmo com a frota global de car carriers crescendo cerca de 40% nos últimos anos, a oferta não tem acompanhado o ritmo dos embarques.
Resultado: as tarifas de afretamento subiram cerca de 65% e o espaço disponível diminuiu. Em alguns casos, fabricantes já recorrem a contêineres para conseguir movimentar os veículos.
Para a cadeia automotiva latino-americana, a mensagem é simples: espaço passou a ser parte crítica do planejamento. Quem depende desse tipo de operação precisa trabalhar as reservas com mais antecedência.
1,7 milhão de TEUs estão, na prática, fora de circulação
Não é só a quantidade de navios que determina a capacidade disponível no transporte marítimo. Atraso também retira capacidade do mercado.
Segundo a Sea-Intelligence, aproximadamente 5% da capacidade global de transporte marítimo de contêineres está atualmente absorvida por atrasos. Isso representa cerca de 1,7 milhão de TEUs que, na prática, estão indisponíveis porque os navios não conseguem cumprir normalmente seus ciclos.
A confiabilidade dos itinerários globais permanece na faixa de 60% a 65%, contra 70% a 80% antes da pandemia. E, quando um navio atrasa, a demora média já está entre 5 e 5,5 dias, acima dos 3 a 4 dias que eram considerados normais antes de 2020.
Na prática, isso ajuda a explicar por que um mercado com mais navios não significa necessariamente mais espaço disponível. Congestionamentos e atrasos continuam interferindo em capacidade, prazos e previsibilidade.