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De Olho no Mercado | edição julho 2026

Julho 2026 | Pluscargo

De Olho no Mercado é o estudo mensal da Pluscargo. Acompanhamos os movimentos globais que afetam sua operação para que você tome decisões com informação na mão.

ECONOMIA

🇧🇷 Balança comercial mantém saldo forte em julho

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,116 bilhão na quarta semana de julho, resultado de US$ 7,542 bilhões em exportações e US$ 6,426 bilhões em importações.

No acumulado do mês até o período, o saldo positivo chegou a US$ 6,539 bilhões. As exportações somaram US$ 27,586 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 21,046 bilhões.

Na comparação com o mesmo período de 2025, as exportações cresceram 9,7%, com avanço nos três principais setores:

  • Agropecuária: +14,3%;
  • Indústria Extrativa: +11,4%;
  • Indústria de Transformação: +6,4%.

De janeiro até a quarta semana de julho, o superávit acumulado chegou a US$ 48,897 bilhões, crescimento de 36,2% sobre o mesmo período de 2025. O resultado ainda é preliminar, e os dados consolidados de julho serão divulgados em agosto.

🇺🇸 Tarifas dos EUA: indústria brasileira entra em nova fase de pressão

Os Estados Unidos confirmaram em julho uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

Segundo o USTR, a decisão está relacionada a temas como comércio digital e meios eletrônicos de pagamento, tarifas consideradas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

Outra medida, relacionada à falta de proibição e fiscalização de produtos associados ao trabalho forçado, estabeleceu uma tarifa adicional de 12,5% para economias que não foram incluídas nas faixas reduzidas ou nas exceções previstas. Dependendo do produto e do enquadramento, a combinação das medidas pode ampliar de forma relevante a carga tarifária sobre mercadorias brasileiras.

Os efeitos não serão iguais para todos os setores.

Entre os segmentos mais expostos estão:

  • madeira processada;
  • calçados;
  • têxtil e confecções;
  • máquinas e equipamentos.

Esses setores dependem do mercado norte-americano e podem enfrentar perda de competitividade, redução de pedidos e pressão para deslocar parte da produção ou da distribuição para outros países.

Já produtos considerados estratégicos para o abastecimento e para as cadeias produtivas dos Estados Unidos, como aeronaves e peças, petróleo, medicamentos e alguns produtos do agronegócio, receberam tratamento diferenciado ou foram incluídos em exceções.

Para as empresas brasileiras, o cenário exige uma análise por produto. Além de apenas observar a tarifa geral, é necessário verificar o código tarifário, as exceções aplicáveis, o impacto no preço final e as possibilidades de renegociação comercial.

LOGÍSTICA E INFRAESTRUTURA

🚆 Brasil prepara nova fase de investimentos em ferrovias

O governo federal estrutura um portfólio estimado em R$ 160 bilhões para ampliar o transporte ferroviário de cargas e reduzir a dependência do modal rodoviário em trajetos de longa distância.

A meta apresentada é elevar a participação das ferrovias na matriz de transportes de 17,7% para 34,6% até 2035.

O plano envolve oito leilões e mais de 9 mil quilômetros de trilhos, incluindo corredores como Ferrogrão, FICO, FIOL, EF-118, Malha Oeste e Malha Sul.

O movimento pode gerar impactos importantes sobre:

  • acesso aos portos;
  • escoamento de grãos, minérios e alimentos;
  • redução de gargalos rodoviários;
  • competitividade das regiões produtoras;
  • integração entre ferrovias, rodovias, terminais e hidrovias.

O ponto de atenção está na execução. Parte relevante desse investimento ainda depende de leilões, licenciamento, modelagem financeira e aprovação dos órgãos de controle. Portanto, o potencial é grande, mas os resultados serão graduais.

🚢 Frete Ásia–Brasil segue pressionado

O frete marítimo entre Ásia e Brasil registrou uma alta expressiva ao longo do primeiro semestre.

O valor de um contêiner de 40 pés, que estava próximo de US$ 1.500 em janeiro, chegou a variar entre US$ 7.000 e US$ 8.000 em junho. Em julho, houve recuo para a faixa de US$ 5.000 a US$ 6.000, mas o mercado continua instável.

Cinco fatores ajudam a explicar esse movimento:

  1. aumento do preço do combustível marítimo;
  2. conflitos no Oriente Médio;
  3. alta temporada de embarques entre junho e outubro;
  4. reposição de estoques para Black Friday e Natal;
  5. redução de capacidade provocada por manutenção no Canal do Panamá e cancelamentos de viagens.

Em julho, a entrada de navios adicionais ajudou a reduzir temporariamente os preços. Para agosto, porém, o mercado já observa novos blank sailings, o que pode limitar novamente a oferta de espaço.

A normalização ampla das rotas no Oriente Médio também ainda parece distante. Restrições no Estreito de Ormuz e desvios pelo Cabo da Boa Esperança continuam aumentando tempos de trânsito, custos operacionais e consumo de combustível.

📦 Capacidade para a América do Sul está mais instável

As rotas marítimas com origem ou destino na América do Sul apresentam atualmente uma das maiores variações semanais de capacidade entre os principais corredores globais de contêineres.

Na prática, isso significa que o espaço anunciado pelas companhias marítimas pode mudar significativamente de uma semana para outra.

O uso de blank sailings também se tornou mais frequente. No primeiro semestre de 2026, as cancelamentos retiraram entre 10% e 14% da capacidade originalmente planejada, percentual superior ao observado antes da pandemia.

O que antes era usado principalmente para responder a contingências passou a funcionar como uma ferramenta recorrente de gestão de oferta.

Para importadores e exportadores, a mudança exige:

  • reservas com maior antecedência;
  • alternativas de rota e embarque;
  • mais margem na gestão de estoques;
  • acompanhamento constante dos itinerários;
  • flexibilidade para reagir a alterações de capacidade.

INTERNACIONAL

🌍 Estreito de Ormuz segue operando em nível reduzido

O Estreito de Ormuz continua sendo um dos principais pontos de tensão do comércio marítimo mundial.

Mesmo com ataques, interceptações e relatos de minas nas rotas tradicionais, o tráfego não foi completamente interrompido. No entanto, permanece muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito.

Dados analisados pela DW indicam que ao menos 84 embarcações atravessaram o estreito em dois períodos da guerra. Nos mesmos intervalos de 2025, foram registradas mais de 900 passagens.

Parte dos navios também pode estar navegando com os sistemas de identificação desligados, o que dificulta a medição exata do movimento.

Por que algumas empresas continuam atravessando?

Porque petróleo, gás, alumínio e outras mercadorias produzidas dentro do Golfo Pérsico possuem poucas alternativas de saída. Para muitos operadores, interromper totalmente a produção significaria perdas maiores do que assumir o risco da travessia.

Existem rotas de desvio por oleodutos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, mas sua capacidade cobre apenas parte do volume normalmente transportado pelo estreito.

Para o comércio internacional, o impacto aparece em várias frentes:

  • aumento do combustível;
  • seguros marítimos mais caros;
  • redução de capacidade;
  • sobretaxas emergenciais;
  • alterações de rota;
  • maior incerteza sobre prazos.

🌊 El Niño volta ao radar da logística global

A possível formação de um novo episódio de El Niño aumenta a preocupação com a resiliência da infraestrutura na costa do Pacífico.

Os principais riscos incluem:

  • forte ondulação e fechamento temporário de portos;
  • alagamentos em terminais e pátios;
  • danos em acessos rodoviários e ferroviários;
  • sedimentação em canais;
  • redução de calado;
  • alterações de itinerário;
  • congestionamentos prolongados.

Peru e Equador costumam estar entre os países mais afetados na América do Sul. Em muitos casos, os terminais continuam funcionando, mas a carga não consegue chegar ou sair devido a enchentes, deslizamentos e interrupções nas estradas.

No Chile, os impactos aparecem principalmente por meio de marejadas e paralisações temporárias das operações portuárias.

Já no Canal do Panamá, o problema é o oposto: a redução das chuvas pode diminuir o nível dos reservatórios, restringindo o número de trânsitos diários e o calado autorizado.

O último episódio mais severo mostrou que uma limitação no canal pode provocar efeitos em cascata: menor capacidade, aumento de filas, mudanças de rota e alta nos custos.

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