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De Olho no Mercado | Agosto 2026

De Olho no Mercado é o estudo mensal da Pluscargo. Acompanhamos os movimentos globais que afetam sua operação para que você tome decisões com informação na mão.

ECONOMIA

💵 Comércio exterior brasileiro mantém saldo forte

Julho fechou com superávit comercial de US$ 7,07 bilhões. As exportações chegaram a US$ 34,1 bilhões, enquanto, no acumulado do ano, o saldo positivo já supera US$ 49 bilhões.

No cenário doméstico, a Selic está em 14% ao ano. O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,44%, dentro do intervalo da meta de inflação, que vai de 1,5% a 4,5%. O Banco Central, porém, mantém uma postura cautelosa, já que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 seguem acima da meta de 3%.

Já o dólar permanece na faixa de R$ 5,15 a R$ 5,20, patamar que continua relevante para o planejamento de importadores e exportadores.

Brasil x EUA: reciprocidade entrou no radar, mas não deve ser imediata

O tarifaço americano continua no centro das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Agora, o governo brasileiro também avalia a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica como possível resposta às sobretaxas impostas pelos EUA.

Mas não espere uma resposta imediata. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o processo deve se estender até o fim do ano. O governo está reunindo informações sobre os impactos das tarifas antes de avançar com eventuais medidas e afirma que a prioridade continua sendo buscar uma solução negociada.

Para quem opera entre os dois países, portanto, o cenário continua exigindo acompanhamento: não há reciprocidade aplicada neste momento, mas também não há uma solução definitiva para as tarifas americanas.

LOGÍSTICA INTERNACIONAL

China: temporada de tufões continua pressionando a logística

Agosto trouxe mais um capítulo de uma temporada climática especialmente difícil para as operações na China.

Depois de sucessivos tufões desde julho e dos impactos sobre importantes regiões portuárias, o país enfrenta agora uma combinação incomum de sistemas tropicais. O tufão Narra atingiu Hainan e provocou fortes chuvas e inundações no sul, enquanto o Saudel avança em direção à costa leste chinesa, com previsão de atingir Zhejiang e Fujian entre 27 e 28 de agosto.

O problema não é apenas a passagem de cada tempestade. Interrupções sucessivas deixam um efeito acumulado na cadeia: navios fora de programação, cargas represadas, terminais congestionados e dificuldade para normalizar os schedules antes da chegada do próximo evento.

Para importadores, o momento pede antecedência na reserva de espaço e flexibilidade no planejamento de ETDs e ETAs, principalmente nas operações com origem na costa chinesa.

🚢 Canal do Panamá vai reduzir o número de navios em setembro

O El Niño voltou a mexer com uma das rotas mais importantes do comércio mundial.

A falta de chuvas está reduzindo os níveis dos lagos que abastecem o Canal do Panamá. Como resposta, a autoridade do canal anunciou que o limite passará dos atuais 36 para 34 navios por dia no início de setembro e, a partir de 15 de setembro, para 32. Restrições de calado também estão sendo adotadas.

O alerta é especialmente relevante porque o Panamá é uma rota estratégica para o comércio entre Ásia e Costa Leste dos Estados Unidos. Menos slots disponíveis significam maior disputa pela passagem e possibilidade de filas, alterações de rota, aumento dos tempos de trânsito e pressão sobre custos.

O precedente também merece atenção: em 2023, outro episódio de El Niño levou o canal a reduzir drasticamente sua capacidade. Por isso, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será determinante.

🚗 Carros chineses pressionam o mercado de navios Ro-Ro

A expansão internacional da indústria automotiva chinesa está criando outro gargalo no transporte marítimo.

O aumento das exportações de veículos para mercados como Europa, Austrália e América Latina levou a demanda por navios especializados ao limite. Mesmo com a frota global de car carriers crescendo cerca de 40% nos últimos anos, a oferta não tem acompanhado o ritmo dos embarques.

Resultado: as tarifas de afretamento subiram cerca de 65% e o espaço disponível diminuiu. Em alguns casos, fabricantes já recorrem a contêineres para conseguir movimentar os veículos.

Para a cadeia automotiva latino-americana, a mensagem é simples: espaço passou a ser parte crítica do planejamento. Quem depende desse tipo de operação precisa trabalhar as reservas com mais antecedência.

⏱️ 1,7 milhão de TEUs estão, na prática, fora de circulação

Não é só a quantidade de navios que determina a capacidade disponível no transporte marítimo. Atraso também retira capacidade do mercado.

Segundo a Sea-Intelligence, aproximadamente 5% da capacidade global de transporte marítimo de contêineres está atualmente absorvida por atrasos. Isso representa cerca de 1,7 milhão de TEUs que, na prática, estão indisponíveis porque os navios não conseguem cumprir normalmente seus ciclos.

A confiabilidade dos itinerários globais permanece na faixa de 60% a 65%, contra 70% a 80% antes da pandemia. E, quando um navio atrasa, a demora média já está entre 5 e 5,5 dias, acima dos 3 a 4 dias que eram considerados normais antes de 2020.

Na prática, isso ajuda a explicar por que um mercado com mais navios não significa necessariamente mais espaço disponível. Congestionamentos e atrasos continuam interferindo em capacidade, prazos e previsibilidade.

AMÉRICA DO SUL

Paraguai cresce como polo industrial e muda o mapa logístico do Cone Sul

O Paraguai está ganhando espaço como plataforma industrial para empresas brasileiras. Hoje, 232 empresas do Brasil produzem no país por meio do regime de maquila. É importante colocar o número em perspectiva: esse movimento ocorreu desde 2007 e representa empresas que expandiram sua produção para o Paraguai, não companhias que necessariamente deixaram de operar no Brasil.

E o ritmo continua acelerado. Só no primeiro semestre de 2026, as exportações paraguaias sob o regime de maquila chegaram a US$ 717 milhões, crescimento de 25%. O Brasil absorveu 62% desses produtos, seguido pela Argentina, com 15%.

Esse crescimento industrial vem acompanhado de uma estrutura logística própria. O Paraguai conta com 45 portos privados, e 85% de seu comércio exterior passa pela Hidrovia Paraguai-Paraná. Em 2025, foram movimentadas aproximadamente 25 milhões de toneladas pelo sistema.

E onde entra a Pluscargo?

A Pluscargo possui estrutura própria no Paraguai e uma operação integrada no Cone Sul, permitindo coordenar tanto o abastecimento de insumos quanto o fluxo de produtos acabados.

A estrutura regional inclui soluções LCL e FCL via Montevidéu, utilização da estrutura própria da Pluscargo no Uruguai, incluindo terminal portuário e depósito fiscal, além de conexões com Paranaguá. Para empresas que produzem ou pretendem produzir no Paraguai, isso amplia as possibilidades de desenhar a operação considerando diferentes origens, destinos e modais.

Quer entender como estruturar uma operação entre Brasil, Paraguai e outros mercados do Cone Sul? Fale com o time Pluscargo.

PLUSCARGO

📍 Nordeste no centro das conversas

A Pluscargo participou da Multimodal Nordeste, realizada de 4 a 6 de agosto, em Recife, em um momento de expansão dos investimentos e da infraestrutura logística da região.

Entre os destaques apresentados pela empresa estiveram a logística integrada, a certificação OEA e o serviço LCL direto da Ásia para Suape, com consolidações próprias a partir de Ningbo, Xangai e Hong Kong.

Durante a feira, Soraya Magdanelo, diretora da Pluscargo, e Maurício Vaz, gerente nacional de vendas, também receberam Carlos Menchik, do canal Ser Logístico, para uma conversa sobre o crescimento do Nordeste no comércio exterior, os diferenciais da operação regional e as soluções que podem aumentar a eficiência das empresas que importam e exportam pela região.

ASSISTA À CONVERSA COM O SER LOGÍSTICO

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