Notícias

De Olho no Mercado – edição setembro 2026

ECONOMIA E NEGÓCIOS

🇧🇷 Comércio exterior brasileiro cresce dos dois lados

Até a quarta semana de setembro, o Brasil exportou US$ 30,39 bilhões e importou US$ 23,91 bilhões, com superávit próximo de US$ 6,5 bilhões.

No acumulado de 2026, as exportações cresceram 11,5% e as importações, 6% em relação ao mesmo período de 2025. A corrente de comércio chegou a US$ 500,92 bilhões.

O crescimento das importações merece atenção porque mostra um mercado aquecido também na entrada de mercadorias. Mais volume significa maior demanda por transporte internacional, terminais, armazenagem e distribuição.

Os números consideram os dados divulgados até a quarta semana de setembro. O fechamento oficial do mês ainda não foi publicado.

💰 Selic cai para 13,75%, mas crédito continua caro

O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual em setembro, para 13,75% ao ano, dando sequência ao ciclo de cortes iniciado em agosto.

A redução ainda é pequena diante do nível dos juros. Empresas que dependem de capital de giro ou precisam financiar estoques e importações continuam operando com um custo financeiro elevado.

A inflação também voltou a subir. Depois de recuar 0,40% em agosto, o IPCA-15 avançou 0,70% em setembro e acumula 4,47% em 12 meses. No câmbio, o dólar encerrou o mês novamente próximo de R$ 5,20.

Para importadores, a combinação ainda pede atenção ao custo financeiro da operação, ao momento das compras e à exposição cambial.

🇺🇸 Exportadores afetados pelas tarifas dos EUA ganham mais prazo no drawback

Setembro trouxe uma mudança importante para empresas brasileiras atingidas pelas tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos.

O governo regulamentou a possibilidade de prorrogar por mais um ano o prazo do regime de drawback suspensão para empresas que tiveram exportações prejudicadas pelas novas tarifas americanas.

O drawback permite comprar ou importar insumos com suspensão de tributos quando eles serão utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação. O problema aparece quando a empresa já adquiriu esses insumos dentro do regime, mas não consegue realizar a exportação no prazo previsto.

Com a nova regra, empresas enquadradas nas condições estabelecidas podem solicitar mais 12 meses para cumprir o compromisso de exportação, evitando a cobrança imediata dos tributos que estavam suspensos.

A medida não elimina o impacto das tarifas dos EUA, mas dá mais tempo para empresas afetadas reorganizarem vendas, destinos e produção sem perder imediatamente o benefício fiscal associado ao regime.

 

LOGÍSTICA INTERNACIONAL

🇨🇳 China chega à Golden Week com portos congestionados e baixa previsibilidade

A combinação de quatro tufões consecutivos e alta ocupação dos terminais deixou a operação portuária chinesa pressionada às vésperas da Golden Week, feriado que paralisa boa parte das atividades do país entre 1º e 7 de outubro.

Portos do leste e do sul da China registram esperas para atracação que podem chegar a duas semanas. Xangai e Ningbo estão entre os pontos mais afetados, mas os atrasos já se espalham pela rede asiática e comprometem escalas seguintes.

A confiabilidade dos itinerários caiu para 21% em Xangai e 34% em Ningbo. Globalmente, ficou abaixo de 50% em agosto, com atraso médio superior a 6,8 dias entre os navios que chegaram fora da programação.

O calendário também preocupa. Depois da Golden Week, navios atrasados devem sair próximos aos serviços regulares, aumentando temporariamente a capacidade oferecida. Na rota entre Ásia e norte da Europa, estão previstos 1,5 milhão de TEUs de capacidade em quatro semanas, 27% acima do mesmo período de 2025.

Ao mesmo tempo, a parada das fábricas chinesas durante o feriado reduz a carga disponível para embarque. A Sea-Intelligence avalia que essa combinação pode levar as companhias marítimas a fazer blank sailings de última hora para ajustar a oferta.

Para cargas com origem na China, a segunda metade de outubro deve ser tratada com atenção. ETDs e conexões podem sofrer alterações mesmo depois da reserva confirmada, principalmente enquanto os portos absorvem os atrasos acumulados antes dos feriados.

🚢 Frota de contêineres cresce, mas capacidade não significa disponibilidade imediata

A frota mundial de porta-contêineres acaba de alcançar 34 milhões de TEUs, mas a expansão está longe de terminar.

Segundo a BIMCO, existem mais de 14 milhões de TEUs em novas embarcações encomendadas, volume equivalente a 42% da capacidade da frota atual. Os navios acima de 12 mil TEUs concentram 59% dessa carteira.

A projeção é chegar a 37,7 milhões de TEUs até o fim de 2027, com 3,2 milhões de TEUs em novas entregas apenas naquele ano.

O aumento da frota tende a ampliar a oferta estrutural de transporte, mas não resolve sozinho os problemas de capacidade percebidos pelos embarcadores. Congestionamentos, desvios de rota, redução de velocidade e baixa confiabilidade dos itinerários continuam retirando eficiência da rede.

O contraste aparece no próprio mercado atual: há mais navios entrando em operação, enquanto atrasos e congestionamentos ainda dificultam o aproveitamento dessa capacidade. A evolução dessas duas forças será importante para tarifas e negociações de contratos em 2027.

LOGÍSTICA BRASIL

⚓ Brasil vai monitorar gargalos e capacidade dos portos

Com o aumento da movimentação de cargas, saber onde a infraestrutura portuária está próxima do limite se torna cada vez mais importante. Em setembro, o Ministério de Portos e Aeroportos iniciou a estruturação do Monitoramento da Saturação Portuária (MSP).

A ferramenta vai comparar a capacidade instalada dos portos com a demanda atual e projetada, além de acompanhar indicadores de nível de serviço. A análise incluirá portos organizados e Terminais de Uso Privado (TUPs), assim como os acessos terrestres e aquaviários.

A intenção é identificar gargalos antes que eles comprometam as operações e usar esses dados para orientar decisões sobre novos terminais, arrendamentos, leilões e investimentos em infraestrutura.

O tema ganha peso em um momento de crescimento da movimentação portuária brasileira. Só em agosto, Santos registrou seu maior volume mensal de contêineres, enquanto Suape alcançou a maior movimentação mensal de cargas de sua história.

A primeira publicação anual do MSP está prevista para 2027. Para importadores e exportadores, o acompanhamento pode trazer mais clareza sobre onde estão os principais limites de capacidade do sistema portuário brasileiro e quais regiões precisarão de expansão nos próximos anos.

🇧🇷 Porto de Itajaí ganha mais 21 mil m² para movimentação de cargas

O Porto de Itajaí vai incorporar mais de 21 mil m² à sua área alfandegada com a entrada de um novo Recinto Aduaneiro Contíguo (RAC).

O espaço será destinado ao armazenamento e à movimentação de cargas, contêineres e veículos. A ampliação ocorre em um momento de maior ocupação dos pátios provocada pelo crescimento da movimentação no porto.

Até agosto, Itajaí havia movimentado mais de 3,5 milhões de toneladas e 326 mil TEUs.

A expansão do pátio faz parte de um conjunto maior de intervenções. Também estão previstas ou em andamento medidas relacionadas ao aprofundamento do canal de acesso, melhorias nos gates e instalação de equipamentos de inspeção e segurança.

Mais área disponível aumenta a capacidade de acomodar cargas e contêineres dentro do complexo e reduz uma das pressões associadas ao crescimento dos volumes movimentados pelo porto.

AMÉRICA LATINA

📦 América Latina movimenta mais contêineres em relação ao tamanho de sua economia

A atividade portuária de contêineres ganhou peso na economia latino-americana nos últimos anos.

Um estudo do economista Ricardo J. Sánchez analisou a evolução da movimentação portuária em relação ao PIB real. Entre 2019 e 2025, o indicador utilizado pelo estudo ficou em 1,24 na América Latina, enquanto Estados Unidos e Canadá registraram 0,94.

O resultado indica que a relação entre movimentação de contêineres e PIB aumentou na América Latina durante o período. O indicador não mede produtividade, valor agregado ou uma relação causal entre crescimento econômico e atividade portuária.

No Brasil, o índice chegou a 1,32 entre 2019 e 2025. Peru registrou 1,38; México, 1,26; Colômbia, 1,15; e Chile, 1,06.

A tendência latino-americana não começou agora. Em todas as cinco janelas analisadas desde 2000, o indicador regional permaneceu acima de 1, mostrando um aumento recorrente da movimentação de contêineres em relação ao PIB.

Os dados reforçam uma mudança que já aparece nos volumes dos principais portos da região: a infraestrutura para movimentação de contêineres ocupa um espaço cada vez maior na dinâmica do comércio latino-americano.

 

China congestionada, portos brasileiros em expansão e novos caminhos para o comércio exterior.

A edição de setembro do De Olho no Mercado já está no ar. Entre os destaques:

🇨🇳 China: quatro tufões consecutivos pressionaram os portos às vésperas da Golden Week. Em Xangai, a confiabilidade dos itinerários caiu para 21%.

🚢 Transporte marítimo: mais de 14 milhões de TEUs estão encomendados, volume equivalente a 42% da frota atual de porta-contêineres.

🇧🇷 Brasil: exportações cresceram 11,5% e importações 6% no acumulado do ano até a quarta semana de setembro.

⚓ Portos: o país prepara um sistema para monitorar saturação e gargalos, enquanto Itajaí incorpora mais de 21 mil m² à sua área alfandegada.

🇺🇸 Brasil x EUA: exportadores afetados pelas tarifas americanas poderão ter mais 12 meses para cumprir compromissos do drawback suspensão.

🚆 América do Sul: o Brasil avança em projetos ferroviários e mantém em estudo uma futura conexão bioceânica com o Porto de Chancay, no Peru.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *