ECONOMIA E NEGÓCIOS
🇧🇷 Novo mandato presidencial terá comércio exterior entre os desafios econômicos
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, confirmada em 25 de outubro, abre um novo ciclo de decisões para a economia brasileira. Além do ajuste fiscal, da inflação e dos juros elevados, o próximo mandato terá de lidar com um ambiente internacional marcado pelo aumento do protecionismo e pelas disputas comerciais entre as principais economias.
No comércio exterior, um dos desafios será ampliar a competitividade das exportações brasileiras, especialmente dos produtos industrializados, em um cenário no qual commodities continuam tendo grande participação nas vendas externas do país.
As relações com Estados Unidos e China também exigirão atenção. As tarifas comerciais americanas, a disputa por minerais críticos e as mudanças nas cadeias globais de abastecimento colocam o Brasil diante da necessidade de diversificar mercados e preservar sua capacidade de negociação.
Outro ponto importante será o avanço dos acordos comerciais e dos investimentos em infraestrutura. A ampliação do acesso a mercados precisa ser acompanhada por melhorias nas condições de produção, transporte e escoamento das mercadorias.
A reação dos mercados financeiros ao resultado eleitoral acrescentou uma preocupação imediata. O dólar superou R$ 5,60 em 26 de outubro, aumentando a exposição cambial de empresas que dependem de insumos e mercadorias importadas.
Para o comércio exterior, o início do novo mandato será acompanhado tanto pelas definições da política econômica quanto pela capacidade do Brasil de ampliar sua participação no comércio internacional.
🇧🇷 Exportações crescem 27,9% e importações avançam 21,1% em outubro
O comércio exterior brasileiro apresentou crescimento expressivo nas duas direções durante outubro.
Até a quarta semana do mês, o país havia exportado US$ 29,31 bilhões e importado US$ 21,9 bilhões, acumulando superávit comercial de US$ 7,4 bilhões.
Na comparação das médias diárias com outubro de 2025, as exportações cresceram 27,9%, enquanto as importações avançaram 21,1%. A corrente de comércio registrou expansão de 24,9% pelo mesmo critério.
O desempenho foi positivo em diferentes segmentos da economia. Nas exportações, a indústria extrativa apresentou crescimento de 55,9%, seguida pela agropecuária, com 18,9%, e pela indústria de transformação, com 18,4%.
Do lado das importações, a indústria de transformação registrou aumento de 19,9% na média diária, enquanto as compras de produtos da indústria extrativa cresceram 43,5%.
No acumulado de 2026, a corrente de comércio brasileira chegou a US$ 558,1 bilhões, resultado de US$ 314 bilhões em exportações e US$ 244,1 bilhões em importações.
A expansão simultânea dos dois fluxos mostra um aumento da atividade comercial internacional. Para a logística, esse movimento representa maior demanda potencial por transporte, movimentação portuária, armazenagem e distribuição.
Os números são preliminares e consideram os dados divulgados pelo MDIC em 26 de outubro. O fechamento oficial do mês ainda não está disponível.
🇪🇺 Acordos comerciais ampliam oportunidades, mas exigem atenção às regras de origem e às cotas
A implementação dos acordos comerciais do Mercosul com parceiros europeus avança em diferentes etapas, criando novas condições de acesso a mercados para empresas brasileiras.
O Acordo Provisório de Comércio entre Mercosul e União Europeia começou a ser aplicado em maio de 2026. O instrumento estabelece compromissos de redução tarifária e abertura comercial entre os blocos, que reúnem 31 países e um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas.
Já o acordo entre Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, teve uma nova etapa de implementação em outubro.
O governo brasileiro regulamentou os critérios de utilização das cotas de importação previstas no acordo Mercosul–EFTA, inicialmente para produtos como vinhos, queijos, fórmulas infantis e chocolates.
As preferências comerciais começaram a valer para as trocas entre Brasil e Islândia em 1º de outubro, com previsão de entrada em vigor para a Noruega em novembro. Suíça e Liechtenstein ainda dependem da conclusão de procedimentos nacionais.
No caso dos produtos não sujeitos a cotas, o aproveitamento das preferências tarifárias depende do cumprimento das regras de origem e dos demais requisitos aplicáveis.
A abertura comercial pode reduzir custos e ampliar as alternativas de fornecimento, mas a existência de um acordo não significa redução automática de tarifas para todas as mercadorias.
Para importadores e exportadores, será importante acompanhar os cronogramas de implementação, a classificação dos produtos e as condições necessárias para utilizar os benefícios negociados.
LOGÍSTICA INTERNACIONAL
🚢 Fretes marítimos voltam a subir enquanto armadores ajustam a capacidade
Depois de um período de oscilações, as tarifas spot do transporte marítimo de contêineres voltaram a registrar alta em algumas das principais rotas internacionais.
O World Container Index (WCI), da Drewry, avançou 2% na semana encerrada em 22 de outubro, alcançando US$ 4.585 por contêiner de 40 pés (FEU).
Na rota Xangai–Los Angeles, o frete subiu 2%, chegando a US$ 8.007 por FEU. Para Nova York, o aumento foi de 1%, com tarifa de US$ 10.166. Já nas conexões entre Xangai e Europa, as altas chegaram a 3% para Roterdã e 5% para Gênova.
A recuperação ocorre enquanto as companhias marítimas continuam ajustando a oferta de espaço. Segundo a Drewry, estão previstas 56 viagens canceladas entre 26 de outubro e 30 de novembro, de um total de 714 saídas programadas.
Esses cancelamentos, conhecidos como blank sailings, representam aproximadamente 8% das viagens previstas para o período. A maior concentração está nas rotas entre Ásia e Europa.
O comportamento das tarifas chama atenção porque acontece simultaneamente ao retorno gradual de serviços pelo Canal de Suez, movimento que tende a liberar capacidade anteriormente comprometida com viagens mais longas.
A demanda também influencia esse equilíbrio. Segundo a Xeneta, os volumes transportados do Extremo Oriente para a Europa cresceram 12,2% nos primeiros sete meses de 2026.
O mercado apresenta, portanto, sinais simultâneos de aumento de capacidade disponível e pressão sobre os preços. A evolução das tarifas dependerá da demanda, dos cancelamentos de viagens e da reorganização dos serviços marítimos.
Para os embarcadores, os movimentos recentes reforçam a importância de acompanhar as condições específicas de cada rota. A alta dos índices globais não significa que todos os corredores comerciais estejam apresentando o mesmo comportamento.
🌍 Canal de Suez registra retomada gradual de serviços entre Ásia e Europa
Depois de um longo período de desvios pelo Cabo da Boa Esperança, as principais companhias marítimas estão retomando gradualmente suas operações pelo Canal de Suez.
Um levantamento da Alphaliner identificou travessias pelo Mar Vermelho em 24 dos 46 serviços diretos operados pelas dez maiores companhias marítimas entre Ásia e Europa, considerando o período de 15 de setembro a 15 de outubro.
Esses serviços representam aproximadamente 5,5 milhões de TEUs, equivalentes a 63% da capacidade instalada na rota.
A participação chega a 70% nas conexões entre o Extremo Oriente e o Mediterrâneo e a 58% nos serviços destinados ao norte da Europa.
O dado, porém, não significa que 63% de toda a capacidade já esteja utilizando exclusivamente o Canal de Suez. Parte das companhias mantém operações mistas, com viagens pelo Mar Vermelho em um sentido e desvios pelo Cabo da Boa Esperança no outro.
Entre os operadores que registraram travessias estão CMA CGM, MSC, Maersk e Hapag-Lloyd.
A diferença operacional é significativa. A passagem pelo Canal de Suez pode reduzir em aproximadamente duas semanas o tempo de navegação em relação ao desvio pelo sul da África, além de diminuir o consumo de combustível.
O retorno também pode alterar o equilíbrio do mercado marítimo. Viagens mais curtas permitem utilizar a mesma frota em um número maior de operações, aumentando a capacidade efetivamente disponível.
Apesar dos avanços, a segurança na região continua sendo um fator de incerteza, e as companhias ainda não adotaram uma estratégia uniforme.
Para o comércio internacional, a retomada gradual poderá influenciar tempos de trânsito, programação de escalas e disponibilidade de espaço. A normalização completa, entretanto, dependerá da estabilidade das condições de navegação.
🇨🇳 Congestionamentos na China continuam afetando a confiabilidade dos itinerários
Os efeitos dos congestionamentos portuários na Ásia continuam aparecendo nos indicadores de desempenho do transporte marítimo, mesmo após o encerramento da Golden Week chinesa.
A combinação de eventos climáticos extremos, elevada ocupação dos terminais e atrasos acumulados comprometeu a regularidade dos serviços em importantes portos da região.
Segundo dados da Sea-Intelligence referentes a agosto, a confiabilidade dos itinerários na Ásia caiu para 32,3%, enquanto o atraso médio dos navios que chegaram fora da programação alcançou 7,28 dias.
Xangai e Ningbo estiveram entre os portos mais afetados, com índices de pontualidade de apenas 12,2% e 16,9%, respectivamente.
Os efeitos também aparecem nos indicadores mais recentes de movimentação. De acordo com a Drewry, o índice de atividade portuária da Grande China recuou 2% em agosto, na comparação anual. Xangai registrou queda de 15% e Ningbo, de 7,5%, com influência dos eventos meteorológicos.
O problema não se limita ao tempo de espera em um porto. Quando um navio atrasa sua escala, o impacto pode alcançar os terminais seguintes, alterar conexões e comprometer a programação de outros serviços.
Em outubro, as companhias marítimas também continuaram administrando sua capacidade por meio de cancelamentos e ajustes de itinerários.
Para cargas com origem na Ásia, a recuperação da regularidade dos serviços é tão importante quanto a disponibilidade de espaço nos navios.
Os indicadores mostram que os impactos dos congestionamentos podem permanecer na rede marítima mesmo depois da normalização das operações locais. Isso exige atenção às atualizações de saída, chegada e conexões, especialmente em embarques com prazos mais restritos.
BRASIL
⚓ Brasil retoma leilões de terminais de contêineres e projeta expansão de capacidade
O Brasil deu um novo passo na ampliação de sua infraestrutura portuária com a publicação do edital de arrendamento do terminal MUC04, no Porto de Fortaleza, em 23 de outubro.
O empreendimento marca a retomada dos leilões de áreas destinadas exclusivamente à movimentação de contêineres no país, após mais de uma década.
Com aproximadamente 148 mil m², o terminal terá capacidade projetada de 400 mil TEUs por ano. O investimento previsto é de R$ 429 milhões ao longo dos 25 anos de arrendamento.
A estrutura deverá contar com dois berços de atracação, equipamentos de movimentação e instalações para contêineres refrigerados, importantes para o escoamento de produtos agrícolas e outros perecíveis exportados pelo Nordeste.
O leilão está marcado para 9 de dezembro de 2026.
Fortaleza faz parte de um conjunto maior de projetos em diferentes etapas de estruturação. Também estão previstos novos terminais em Santos, São Sebastião e Itajaí.
Somados, os quatro empreendimentos representam aproximadamente 6,5 milhões de TEUs de capacidade anual adicional projetada.
Para dimensionar essa expansão, o Brasil movimentou cerca de 15,3 milhões de TEUs em 2025, volume 10% superior ao registrado em 2024. A capacidade prevista nos novos projetos equivale a mais de 40% dessa movimentação anual.
A expansão, porém, não será imediata. Os empreendimentos ainda dependem de etapas de licitação, contratação, implantação e início das operações.
O avanço dos projetos indica uma tentativa de preparar o sistema portuário brasileiro para volumes maiores de comércio exterior e cabotagem.
Para importadores e exportadores, o aumento da capacidade instalada poderá ampliar as alternativas operacionais e reduzir pressões sobre terminais existentes, desde que acompanhado por investimentos em acessos terrestres, equipamentos e eficiência dos serviços.
AMÉRICA LATINA
🌎 Exportações em contêineres crescem no Brasil, na Argentina e no eixo Paraguai–Uruguai
O comércio marítimo conteinerizado da Costa Leste da América do Sul apresentou resultados positivos nas exportações durante os oito primeiros meses de 2026, embora o comportamento das importações tenha sido diferente entre os países.
Dados da Datamar mostram que as exportações brasileiras em contêineres cresceram 5% entre janeiro e agosto, alcançando aproximadamente 2,16 milhões de TEUs.
No mesmo período, as importações brasileiras chegaram a 2,47 milhões de TEUs, crescimento de 7,6% em relação aos oito primeiros meses de 2025.
Na Argentina, as exportações conteinerizadas avançaram 17,7%, enquanto as importações recuaram 7%.
Paraguai e Uruguai, considerados conjuntamente no levantamento, registraram crescimento de 13,6% nas exportações em contêineres.
Os resultados mostram que os mercados da região estão evoluindo em ritmos diferentes. Enquanto o Brasil apresentou crescimento nos dois fluxos, a Argentina registrou expansão das exportações acompanhada de retração nas importações.
A diferença é importante porque a movimentação de contêineres depende não apenas do volume total de comércio, mas também do perfil das mercadorias, dos destinos e da distribuição entre cargas de entrada e saída.
Para o transporte marítimo, essas mudanças podem influenciar o equilíbrio entre contêineres disponíveis, demanda por espaço e organização dos serviços que atendem à Costa Leste da América do Sul.
O crescimento das exportações conteinerizadas também reforça a importância da integração logística regional, especialmente nas conexões entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A evolução desses fluxos será um indicador relevante para acompanhar a demanda por transporte marítimo, terminais e soluções logísticas na região ao longo de 2027.



